terça-feira, 27 de abril de 2010

Audicto:// Mafaro (2010)


Vou postar aqui mais um disco lançado nesse ano de 2010 em terras brasileiras, Mafaro, terceiro disco solo do André Abujamra, ex-integrante das bandas Karnak e Os mulheres negras. O disco tem os ensinamentos e as doutrinas do candomblé como tema recorrente em quase todas as faixas. Em Tem luz na cauda da flecha, um reggae rasgado que conta com a participação de Luiz Caldas (?!), ouvimos "... Eu sou a flecha de Oxossi, que voa e não cai, dá voltas no mundo meu pai...", e isso é só um exemplo. Mas não fique achando que por ter influências da religião afro nas letras, o disco é basicamente percussivo. Muito pelo contrário! O disco tem uma base instrumental maravilhosa e passeia por viagens sonoras pelos quatro cantos do mundo. Nele encontramos influências musicais na América latina, Leste europeu, Ásia, Jamaica, África e é claro, no nosso Brasil. Além de Luiz Caldas, o disco conta com as participações vocais de Zeca Baleiro, Evandro Mesquita, Xis e Curumim, tudo isso pra incrementar a salada mista musical proposta pelo paulistano multiartístico. Vale à pena destacar o naipe de sopros da banda de apoio de André, infelizmente minha ignorância e péssima apuração não permitem que eu divulgue o nome dos caras, mas é monstruoso. Aprecie sem moderação e reflita: "... o mundo de dentro da gente é maior do que o mundo de fora da gente..."

Ficha técnica:

Disco: Mafaro
Ano: 2010
De quem é: André Abujamra
De onde é: São Paulo - Brasil

01 - Origem
02 - Imaginação
03 - Lexotan
04 - A pedra tem vida
05 - Uma a uma
06 - O amor é difícil
07 - Tem luz na cauda da flecha
08 - Logun Edé
09 - Daumloudaram
10 - Abuxiscuruma
11 - Duvião
12 - Mafaro

Link para download:
http://www.4shared.com/file/a-wwLVF1/Andre_Abujamra_-_Mafaro__2010_.html

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Eclip-se:// Tatubala - Cabeça de rabo de camarão


Vou aproveitar esse espaço pra divulgar o trabalho de dois camaradas ao mesmo tempo. Paulinho de Castro e sua banda Tatubala, que está há tanto tempo na estrada que até já dividiu palco com a finada Dom Seqüela, banda que eu tive no auge de meus dezesseis aninhos. E Felipe Cataldo, poeta, louco e um ótimo diretor com suas ideias mirabolantes. Os dois gênios de minha geração, entre outros, uniram forças para conceber o vídeo clipe da música Cabeça de rabo de camarão da banda já citada. Lembro-me que Paulinho ganhou prêmio de melhor instrumentista no festival da Escola de Música Villa-Lobos defendendo essa canção, difícil vai ser lembrar o ano, mas chuto 2003.
O clipe é muito bom! Descontraído, característica dos dois personagens aqui citados, um bom roteiro e uma qualidade bem interessante. Vale a pena citar também a ótima fotografia de Igor Cabral, por mais redundante que isso seja, e a direção de arte de Bia Pimenta, Lydiane Fátima e Priscila Piantanida. Confira pelo mesmo youtube, cujo link vou colocar aqui embaixo, outros trabalhos dessas feras aqui citadas. Paulinho e sua banda têm ótimas músicas como o clássico Chá das Cinco, e Cataldo dirigiu ótimos filmes como Cascadura e Trago a pessoa amada em três dias.

Link do vídeo clipe no youtube:
http://www.youtube.com/watch?v=OBoMfv4N8D8

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Audicto:// Gilberto Gil (1968)


Esse não é qualquer disco do Gil, é um disco de Gilberto de Gil que conta simplesmente com OS Mutantes como banda de apoio. Além disso, é tido como pontapé inicial para o movimento da Tropicália. O disco começa com um Frevo Rasgado, e quando você ouvir vai pensar: Esse cara tá viajando, não tem nada de Os Mutantes aí... Paciência pessoa, que a partir da segunda faixa você entra numa das melhores obras já lançada em território brasileiro. Esse disco tem todas as carcterísticas da Tropicália. Muita mistura com a música regional brasileira, o Brasil como tema principal, e principalmente, a inserção de guitarras elétricas numa música que não é rock. Em Marginália II, por exemplo, Gil canta: "... minha terra tem palmeiras onde sopra o vento forte... yes nós temos bananas até pra dar e vender..." O disco também contém o clássico Domingo no parque, "... ê José... ê João...", que se transformou numa das maiores injustiças dos festivais da canção da década de 60, por não levar o prêmio em 1967, mesmo ano que Alegria alegria de Caetano também não levou. Nessa ocasião, Gil já contava com Os Mutantes fazendo base para sua bela voz. Com letras sensacionais e uma base instrumental maravilhosa, esse disco te faz redescobrir o Brasil, na companhia de um dos artistas mais completos da história da música brasileira. Aprecie sem moderação e concorde que "... o jornal de manhã chega cedo, mas não trás o que eu quero ler..."

Ficha técnica:

Disco: Gilberto Gil
Ano: 1968
De quem é: Gilberto Gil
De onde é: Salvador - Bahia - Brasil

01 - Frevo rasgado
02 - Coragem pra suportar
03 - Domingou
04 - Marginália II
05 - Pega a voga
06 - Ele falava nisso todo dia
07 - Procissão
08 - Luzia Luluza
09 - Pé de roseira
10 - Domingo no parque
11 - Barca grande
12 - A coisa mais linda que existe
13 - Questão de ordem
14 - A luta contra a lata

Link para download:
http://www.4shared.com/file/1Ac5nICF/Gilberto_Gil_-_1968.html

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Audicto:// Se o caso é chorar (1972)



Esse é o terceiro disco da carreira do artista mais renegado da Tropicália. Se o caso é chorar, é uma das grandes obras de Tom Zé. O disco na verdade foi lançado em 1972 homônimo ao artista e relançado em 1984 com o nome postado aqui. Sem o apelo do grande público da época, hoje, Tom Zé é mundialmente renomado e tem finalmente reconhecida sua real importância na música popular brasileira. O disco é harmonicamente complexo, tem letras sensacionais, além de ser muito moderno pra época. Em A Babá, por exemplo, o cantor nascido em Irará no interior da Bahia já questiona de maneira visionária: "...quem é que agora está passando dinamite na cebeça do século?" Mal sabia ele que as notícias que bombardeariam o início do século XXI, seriam relacionadas a atentados terroristas orientais no ocidente. Algumas canções desse disco como O sândalo, seriam auto plagiadas no ótimo Com defeito de fabricação de 1998, disco que fez com que Tom Zé passasse a ter uma visibilidade maior em nosso país. Será que assim como eu ao ouvir Se o caso é chorar, você notará umas das maiores fontes de inspiração de Raul Seixas? Aprecie sem moderação e "...faça suas orações uma vez por dia, depois mande a consciência junto com os lençóis pra lavanderia..."

Ficha Técnica:

Disco: Se o caso é chorar
Ano: 1972
De quem é: Tom Zé
De onde é: Irará - Bahia - Brasil

01 - Happy end
02 - Frevo
03 - A Babá
04 - Menina amanhã de manhã
05 - Dor e dor
06 - Senhor cidadão
07 - A briga do Edifício Itália com o Hilton Hotel
08 - O anfitrião
09 - O abacaxi de Irará
10 - O sândalo
11 - Se o caso é chorar
12 - Sonho colorido de um pintor

Link para download:
http://www.4shared.com/file/vIUfsoZG/Tom_Z_-_1972_-_Se_o_caso__chor.html

terça-feira, 13 de abril de 2010

Audicto:// Tim Maia (1970)


Por mais obscuro que tenha sido na época, percebo que a minha geração conhece e gosta mais de Tim Maia pela fase Racional. Mas na minha humilde opinião, o mestre é muito mais do que "Leia o livro". Por isso, resolvi postar alguns discos de Tim aqui no blog. E vou começar pelo princípio. Tim Maia, primeiro disco do mestre tijucano de 1970. Nesse disco, o carismático gorducho, no auge de sua potência vocal, apresenta ao Brasil toda sua influência na música negra norte americana. O disco é bem mesclado entre músicas dançantes como Jurema e Cristina e baladas românticas como os clássicos Primavera e Azul da cor do mar. Além de iniciar com o forró-soul Coroné Antônio Bento, no estilo que consagraria Tim Maia pela fusão altamente original, jamais ousada por uma mente musical comum. Se deseja mais informações sobre o disco ou sobre Tim, leia Vale tudo de Nelson Mota, vale muito a pena. Aprecie sem moderação, e perceba que "...na vida a gente tem que entender, que um nasce pra sofrer, enquanto o outro ri..." Depois é só soltar "Risos, risos, risos pra festejar..."

Ficha técnica:

Disco: Tim Maia
Ano: 1970
De quem é: Tim Maia
De onde é: Rio de Janeiro - Brasil

01 - Coroné Antônio Bento
02 - Cristina
03 - Jurema
04 - Padre Cícero
05 - Flamengo
06 - Você fingiu
07 - Eu amo você
08 - Primavera
09 - Risos
10 - Azul da cor do mar
11 - Cristina (reprise)
12 - Tributo a Booker Pitman

Link para download:
http://www.4shared.com/file/-V9oR1hx/Tim_Maia__1970_.html

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Audicto:// Eu menti pra você (2010)


Finalmente vou postar aqui no blog um disco de fato lançado nesse ano de 2010. E o eleito é esse: Eu menti pra você, primeiro disco solo da cantora Karina Buhr, mais conhecida como a voz principal do grupo feminino Comadre Fulozinha e como cantora de apoio dos discos da banda Eddie. Mas o disco está longe do classicismo regional e percussivo das Comadres, pelo contrário, o disco é bem moderno. Nas faixas, Avião aeroporto, O pé e Telekphonen, por exemplo, notamos essa modernidade que lembra bastante o grupo franco inglês Stereolab. O disco encerra com a ótima Plástico bolha, um reggae/ska delicioso onde a cantora baiana, criada em Pernambuco e radicada em São Paulo confessa: "Hoje eu não tô afim de corre-corre e confusão, eu quero passar a tarde estourando plástico bolha...". A falta de qualidade vocal da cantora é compensada por belas linhas melódicas e harmônicas e por ótimas letras. E Karina ainda está muito bem acompanhada por músicos como Edgard Scandurra (ex-Ira!) e Catatau (Cidadão Instigado), por exemplo. Aprecie sem moderação e questione-se: "Se você tiver que escolher entre você e seu amor, você escolhe quem?"

Ficha Técnica

Disco: Eu menti pra você
Ano: 2010
De quem é: Karina Buhr
De onde é: Olinda/São Paulo - Brasil
Lembra: Stereolab, Céu, Mombojó...

01 - Eu menti pra você
02 - Vira pó
03 - Avião aeroporto
04 - Nassira e Najaf
05 - O pé
06 - Ciranda do incentivo
07 - Telekphonen
08 - Mira ira
09 - Soldat
10 - Esperança cansa
11 - Solo de água fervente
12 - Bem vindas
13 - Plástico bolha

Link para download:

http://www.4shared.com/file/256781475/7cc86540/Karina_Buhr_-_Eu_menti_pra_voc.html

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Poeticagem:// Poesia Cênica - Roteiros (in) versos

Hoje faz um mês que eu coloquei meu blog no ar. E há exatamente quatro anos atrás, eu folheava com muito entusiasmo a primeira tiragem do meu livreto de poemas. Poesia cênica - Roteiros (in)versos. Essa primeira edição foi produzida, não só em forma material, mas também financeiramente por meu antigo companheiro de Cataversos (grupo de performance poética do qual eu fazia parte) Alex Topini. Na época, e durante todo ano de 2006, era desse livreto que eu vivia. Vendia principalmente na porta do CCBB e em eventos relacionados a arte, como por exemplo a FLIP, que proporcionou um dos melhores momentos de minha vida, além do maior lucro em cima dos livretos feitos na base da xerox em papel reciclado. Dos poemas contidos no livreto, dois viraram letra de música da Transversal (minha banda). Aquela velha história sobre não saber quem sou, virou a visceral Pisando em ratos, e Previsão tornou-se a canção Mais um dia. Além do poema Onipresença que virou base para o curta mudo e preto e branco que dirigi, No vale da sombra da morte espero a ajuda de Deus. Pra comemorar vou postar aqui um dos nove poemas que compunham o livreto:

Trava-língua

O rei roeu o rabo do rato
preso por desacato
a falta de autoridade
que impera no reino.

O rato farto do descaso
imposto no decreto
por falta de escolha
entregou-se ao acaso.

E na espera do próximo ato
o rato descrente
na falta de aviso
enlouquece de fato.

O rei roeu o rabo do rato.


segunda-feira, 29 de março de 2010

Audicto:// Alegria, alegria!!! (1967)


Demorei semanas pra achar esse disco com download gratuito, portanto exercerei meu dever cívico e vou colocar aqui no blog pra todo mundo baixar de graça. Alegria, alegria!!! de Wilson Simonal. Primeiro volume de uma série de três com o mesmo nome. O disco foi lançado em 1967, época em que Wilson Siomonal disputava com Roberto Carlos a soberania popular musical, e também apresentava na TV o programa Show em Si...Monal, dirigido por Carlos Imperial. Com bastante irreverência e muito suingue, o disco tem um ambiente fantástico. Praticamente todas as faixas começam com risadas ou aplausos num clima bem caseiro. Letras bem simples e muito bem interpretadas pelo cantor. E tudo isso na ótima companhia do Som 3, banda de apoio formada por César Camargo Mariano, Sabá e Toninho, que criaram o estilo na época conhecido como pilantragem. Aprecie sem moderação, vista azul e perceba que "...O coração tem razões, que a própria razão desconhece..."

Ficha técnica:

Disco: Alegria, alegria!!
Ano: 1967
De quem é: Wilson Simonal
De onde é: Rio de Janeiro - Brasil

01 - Escravos de Jó
02 - Agora é cinza
03 - Vesti azul
04 - Aos pés da santa cruz
05 - Belinha
06 - Pra que?
07 - Nem vem que não tem
08 - Fim de semana em Paquetá
09 - Para Pedro
10 - Está chegando a hora
11 - Remelexo
12 - Discussão

link para download:

http://www.4shared.com/file/252084506/75d62c93/Wilson Simonal_-_1967_-_Alegri.htm

quinta-feira, 25 de março de 2010

Audicto:// É ferro na boneca (1970)


Numa dessas buscas frenéticas na internet por algo novo pra ouvir, achei essa pérola: É ferro na boneca, compacto (que hoje chamam de EP e já chamaram de demo) dos Novos Bahianos, que antecede o álbum Acabou Chorare. Nessa época, Pepeu Gomes e A Cor do Som ainda não faziam parte do conjunto, Morais Moreira ainda não ostentava seu indefectível bigodinho, e Baby ainda não era do Brasil. E quando começamos a ouvir o disco, nem mesmo parece os Novos Bahianos que estamos acostumados a ouvir. A faixa título que abre o compacto e a segunda faixa, Eu de adjetivos, mas parecem Os Mutantes com Moreira nos vocais. Percebemos também que o grupo bebe bastante na fonte de Sgt. Pepers dos Beatles, e nas faixas seguintes notamos um que de Raul Seixas. As letras de Luiz Galvão, as vozes marcantes de Morais Moreira e Paulinho Boca de Cantor, e as breves participações vocais de Baby, nos fazem crer que se trata mesmo dos Novos Bahianos. Vale apena conferir o disquinho de cinco faixas para conhecermos o pontapé inicial da banda, mas se você não conhece Novos Bahianos, ouça também o já citado Acabou Chorare e Novos Bahianos Futebol Clube. Aprecie sem moderação e descubra que "...não é uma estrada, é uma viagem / tão viva quanto a morte, não tem sul, nem norte, nem passagem..."

Ficha Técnica:

Disco: É ferro na boneca
Ano: 1970
De quem é: Novos Bahianos
De onde são: Salvador/Rio de Janeiro - Brasil
Lembra: Os Mutantes, Beatles, Raul Seixas e Novos Bahianos mesmo...

01 - É ferro na boneca
02 - Eu de adjetivos
03 - Outro mambo, outro mundo
04 - Colégio de aplicação
05 - A casca de banana que eu pisei

Link para download:

http://www.4shared.com/file/249146988/39a5d0b3/1970_-__ferro_na_boneca.html

sexta-feira, 19 de março de 2010

Audicto:// Frascos compridos compressas (2009)


Outro disco que não sai do meu playlist desde o fim do ano passado é esse: Frascos comprimidos compressas da banda Ronei Jorge & Os Ladrões de Bicicleta (um dos melhores nomes de banda dos últimos tempos). Esse é o segundo disco da banda soteropolitana, que a exemplo do primeiro, flerta com o samba, mas tem sua base no rock. O disco começa com os acordes frenéticos de Você sabe dessas coisas, dá uma bela acalmada enquanto você descobre Quem vem lá, e continua calmo até voltar a crescer com a faixa título quando o vocalista pede "...urgentes incêndios pra queimar esse amor mais depressa, pois tudo é lento demais...". Capitaneados por Ronei Jorge, Os Ladrões de Bicicleta fazem um som simples e honesto, e as letras do compositor e ótimo cantor que dá nome a banda estão longe de ser sofisticadas ou ricas em metáfora e falam basicamente de amor. Mesmo assim, o disco é surpreendente a cada faixa, e você se pergunta onde aquilo tudo vai dar ao início de cada canção. Aprecie sem moderação e perceba que "...tanto fez, tanto faz, palavras não seguem mesmo linhas retas..."

Ficha técnica:

Disco: Frascos comprimidos compressas
Ano: 2009
De quem é: Ronei Jorge & Os Ladrões de Bicicleta
Quem são: Ronei (voz, violão e guitarra), Edinho (guitarra e teclado), Pedrão (bateria) e Sérgio (baixo).
De onde é: Salvador - Bahia - Brasil
Lembra: Caetano Veloso, Gilberto Gil, Jorge Ben...

01 - Você sabe dessas coisas - Nega
02 - Quem vem lá
03 - A respeito do sono
04 - Vidinha
05 - Frascos, comprimidos e compressas.
06 - Tão sabida que eu nem sei
07 - Azucrim
08 - Aquela dança
09 - Tanto fez, tanto faz.
10 - Ó você dizendo
11 - Sonhando com o verão
12 - Circule seu sangue
13 - Está na cara
14 - Tão forte

Link para download:

http://www.4shared.com/file/240340178/4d1526c0/Ronei_Jorge__Os_Ladres_de_bici.html

segunda-feira, 15 de março de 2010

Poeticagem://

Eu pássaro

Pura transição.
Reflito a solidão
sobre altos picos negros
à medida que as coisas passam.
Acompanho a vida como um pássaro
que aprendera a voar
sem direção certa.
Deixando o vento levar incerteza.
Por onde quer que eu vá.
Pra onde o vento queira.
E se esse é meu lugar,
que seja.


sexta-feira, 12 de março de 2010

Audicto:// Banda Gentileza (2009)

Achei justo o primeiro disco postado nesse blog ser aquele que não sai do meu playlist no momento. E aqui está: Banda Gentileza. O disco homônimo a banda, foi lançado oficialmente em Novembro de 2009, mas já tinha mais de 1.500 downloads em apenas dois meses na Internet (Santa ferramenta). Esse disco é daqueles que ao ouvir a primeira canção, sem perceber, você acaba ouvindo tudo de uma vez. As faixas são bem homogênias e a banda tem uma identidade muito forte, a pesar de muita mistura. Irreverente, mas longe de ser engraçadinho, o sexteto curitibano sabe ser calmo e agressivo ao mesmo tempo. E vai do samba a música folclórica do leste europeu. Ouve-se em Teu capricho, meu despacho por exemplo, os versos: "... posso parecer um tanto quanto avarento / mas refletindo o momento / lembro-me que já dizia o antigo testamento / em diabo não se deve confiar." ao som de uma violinha caipira digna de trilha sonora de novela de época do Benedito Ruy Barbosa. Em O indecifrável mistério de Jorge Tadeu (ótimo título) há uma belíssima citação ao clássico "Garçom" de Reginaldo Rossi. Além disso, a banda pode ser uma boa alternativa para quem está órfão de Los Hermanos. Aprecie sem moderação e reflita: "Quem precisa de poética quando tem maior com sétima?"

Ficha técnica:


Disco: Banda Gentileza
Ano: 2009
Quem é: Banda Gentileza
Quem são: Artur Lipori (trompete, guitarra, baixo e kazuo?!), Diego Perin (baixo e concertina?!), Diogo Fernandes (bateria), Emílio Mercuri (guitarra, violão, viola caipira, ukelelê e voz), Heitor Humberto (voz, guitarra, cavaquinho e violino) e Tetê Fontoura (saxofone e teclado).
De onde é: Curitiba - Paraná - Brasil
Lembra: Los Hermanos, móveis coloniais de acajú...

01 - Coracion
02 - O indecifrável mistério de Jorge Tadeu
03 - Afinal de contas
04 - Pia de prédio
05 - O estopim
06 - Teu capricho, meu despacho.
07 - Preguiça
08 - 33B
09 - Sempre quase
10 - Sintonia
11 - Maior com sétima
12 - Pseudo eu

Link para download:

http://www.4shared.com/file/235020261/1dd8dd14/Banda_Gentileza_-_Banda_Gentil.html

quarta-feira, 10 de março de 2010

Cinesia:// O segredo dos seus olhos

Não vi Avatar, muito menos Guerra ao terror. De todos os filmes concorrentes ao Oscar desse ano, só fui ao cinema assistir um antes da premiação. O segredo dos seus olhos. Filme argentino que por acaso venceu na categoria melhor filme de língua estrangeira. E o filme é realmente bom. Dirigido e roteirizado (adaptado de uma novela homônima) por José Juan Campanella, o filme conta a história de um oficial de justiça aposentado, que está escrevendo um romance baseado em um caso que investigou no passado. Como o título sugere, o olhar dos personagens é a base da película. E a boa fotografia foca bastante nisso. O roteiro é surpreendente e te deixa boquiaberto durante a meia hora final da história. Mas não sou só elogios ao filme. O começo é um pouco arrastado e a montagem não é eficaz. Mesmo assim vale muito a pena conferir o filme, pois se trata de uma boa história, com personagens profundos, muito bem interpretados.

Ficha técnica:

Filme: O segredo dos seus olhos (El secreto de sus ojos)
Direção: Juan José Campanella
Elenco: Ricardo Darín, Soledad Villamil, Pablo Rago, Javier Godino e Guilhermo Francella.
Gênero: Suspense/Policial/Drama.
Ano: 2009
País: Argentina

Trailer do filme:

http://www.youtube.com/watch?v=T-8w1HrHQYU

sábado, 6 de março de 2010

Eclip-se:// Ok Go - This too shall pass


Nessa semana, descobri que a banda norte americana Ok Go lançou um novo clipe. Nem sou tão fã da banda assim. Por enquanto não tenho nenhum disco deles. Mas essa banda gravou um dos melhores clipes que já assisti. Here it goes again. Aquele clipe em que quatro figuras fazem uma coreografia em esteiras hergométricas. /Esse aqui ó/ Na primeira oportunidade que tive, fui procurar no youtube o vídeo novo dos caras. This too shall pass. Vi o primeiro vídeo e achei muito bom. Geralmente gosto de clipes sem cortes. Mesmo quando a ideia é simples mas bem executada, como no vídeo. /Esse aqui ó/ Mas pra minha surpresa, descobri que os caras lançaram dois vídeos para essa música. E quando achei o segundo, quase chorei assistindo. Me deparei com um dos melhores vídeos que já vi em minha vida. Um clipe que listarei por muito tempo. Aquela geringonça toda me lembrou a abertura do finado Rá tim bum , e sem cortes! Só um detalhe: repare que os integrantes já estão sujos de tinta. Sinal de que tudo aquilo foi feito mais de uma vez... Quantos pianos será que eles usaram?

Ok Go - This too shall pass - Rube Goldberg Machine version
http://www.youtube.com/watch?v=qybUFnY7Y8w

sexta-feira, 5 de março de 2010

Diário Diana Trindade - 26/12/09

Eu tinha o pressentimento de que aquela noite de natal seria estranha. 1:11 da manhã do dia 24 e eu acordava assustada pela terceira vez. Péssima intuição. Sempre achei que a mulher só passasse a ter essa intuição feminina após a maternidade. Abortei a terceira possibilidade desse acontecimento no mês passado, mas mesmo assim, minha intuição feminina funcionava como nunca. E como não tenho filhos, isso só poderia estar relacionado a minha mãe... Enquanto observava da janela a Rua das Laranjeiras sobre outra perspectiva, assistia em pensamentos minha própria morte, ali mesmo no meio da rua. Na companhia do meu Hollywood azul, um copo d água no parapeito, forjando a minha própria morte e aquele homem lindo deitado na cama lendo Dom Casmurro. Nunca me senti tão em casa na Zona Sul!
Voltando pra Tijuca num 426 frio e quente, vejo a vida, ou melhor, a morte passar diante de meus pensamentos. Adoro brincar com isso. Sou do tipo de pessoa que entra no avião torcendo pra ter turbulência... Existe esse tipo de pessoa? Chego em casa, e pra variar, minha mãe estava discutindo no corredor com o sindico. Dessa vez era o interfone. Puta falta de sorte morar no mesmo andar do sindico... O cara assumiu o controle do prédio assim que completei 15 anos. Sempre aproveitei o fato da minha mãe nunca estar em casa e minha vó ser meio surda e ter um péssimo olfato, para trazer meus namoradinhos pra casa. Sexo e maconha. Mas sindico velho e maior fofoqueiro do prédio são expressões sinonimas. E o cara já está a exatos 10 aos no poder... Já ouvia minha mãe aos berros lá do primeiro andar. Quando saí do elevador, os nervos se esfriaram um pouco e entramos pela sala. Ao entrar disse a ela "É por isso que tenho vergonha de ser sua filha". Não foi a primeira vez e não seria a última naquele natal... Morte e nascimento juntos. Os pulsos ensanguentados no dia que Cristo nasceu. Tudo a ver! Como eu gosto da bíblia... Puta coletânea! Aconselho o livro do Apocalipse. É sensacional! Puta criatividade pra época e muito bem escrito. Sou doida pra ler o Evangelho segundo São Judas. Deve ser demais! Os quatro evangelhos que não foram censurados são meio caretas. Nada de sexo. No máximo umas festas com multiplicação de vinho e mulheres sendo apedrejadas. Imagina morrer apedrejada... Que loucura!
Chegamos a casa do meu pai 20:02. Adoro quando o relógio marca uma hora doida dessas. Mas aquele dia já estava cheio de coincidências, e a noite ainda estava por vir. Um engradado de Original e vinho à beça... Jamais daria certo. Deve ser muito estranho pra minha mãe passar o natal na casa do meu pai, pelo segundo ano consecutivo, pelo simples fato de não ter onde passar. Meu pai sempre foi um fudido. Mas sua vida começou a melhorar depois que deixou de morar com a gente, e obviamente, depois de se separar de minha mãe. Não sei como conseguiu viver com, ela por onze anos. Hoje tem um bom emprego. Há uns oito anos alugou uma cobertura em Vila Isabel e é casado com Outra Mulher há uns dez anos. Outra Mulher quinze anos mais jovem que meu pai. O que de acabar com a cabeça de minha mãe que é oito anos mais velha que meu pai.
Casa cheia, mesa quase vazia, todos os presentes trocados, todo mundo feliz mas um clima muito estranho. Eu já podia sentir o cheiro de sangue, quando lá de cima, ouço um início de discussão. Não faço ideia de como tudo começou. Nem quero saber. Mas obviamente, minha mãe era o foco, e provavelmente começou tudo. Estou acostumada a ver minha mãe acabando com todo tipo de festa, desde de criança. Mas aquela vez parecia ser a última. Principalmente depois de todos se calarem ao me ouvir falando a frase tantas vezes repetidas em casa, mas nunca exposta a público "É por isso que tenho vergonha de ser sua filha". Pela primeira vez senti um peso muito grande ao repetir essas palavras. Aos poucos as pessoas foram indo embora. Nós fomos uma das últimas.
No dia seguinte, mas ainda natal, acordei com uma ressaca horrível. Enchi a cara de coca zero e liguei pro meu novo gatinho de Laranjeiras. Fui pra casa dele, sem ao menos me preocupar se minha mãe estava em casa. Na verdade não queria pensar nela. Depois de uma tarde/noite sexualmente ativa, aquela intuição intuição ruim que havia se instalado em mim na noite anterior voltou. E por mais que a possibilidade de chupar aquele pau grosso ao acordar fosse tentadora, preferi ir pra casa... Cheiro de sangue. Às vezes me sinto uma vampira. Mas não gostaria de ser imortal. Quero passar por essa transição. Nesse caso estou mais pra pomba gira. Cheguei exausta e dormi, nem lembrava mais se minha mãe existia.
Hoje acordei tranquila, mas achei a casa um pouco escura demais. Fui pra cozinha e meu copo de coca zero ainda estava sujo na pia com a garrafa de dois litros ao lado. Me preocupei. Minha mãe gostava de lavar minha louça e limpar minha bagunça, só pra jogar na minha cara depois. Abri a porta do quarto dela e vomitei. Passei a vida inteira imaginando a morte. Mas o ato da morte, nunca a pessoa morta. Deitada na cama, branca como nunca e com uma tesoura enfiada no punho esquerdo, minha mãe estava bela. Que pena! Gostaria de ter visto.